Mira Doven

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Historia

Mira Doven era conhecida por todos no vilarejo — não apenas por sua estalagem de portas sempre abertas, mas pela forma como seu riso preenchia os corredores como se fosse a música mais familiar do lugar. Viúva ainda jovem, nunca se permitiu entregar-se ao peso da perda. Transformou sua dor em força e sua estalagem em coração pulsante da comunidade.

Para Solem, Mira foi mais do que amiga: era a voz que o puxava para a realidade quando ele se perdia demais em pensamentos ou experimentos. Não era raro ela aparecer na forja de Darian com um prato fumegante nas mãos, repreendendo-o por ter esquecido de comer. “Um corpo precisa de mais que engrenagens e ideias, menino”, dizia, ajeitando-lhe os cabelos com a mesma naturalidade de uma irmã mais velha.

No entanto, sua presença não era feita apenas de calor. Mira também foi uma das primeiras a ensinar Solem sobre o valor das histórias. No balcão da estalagem, ele se sentava para ouvir viajantes que vinham de terras distantes, cada um carregando fardos, glórias e arrependimentos. Foi ali, entre copos de cerveja e vozes cansadas, que Solem começou a entender que humanidade não era um conceito abstrato — era o conjunto das memórias, escolhas e cicatrizes que cada um carregava.